|
Description
|
A formação médica é reconhecida pela alta competitividade e pelas intensas exigências acadêmicas e profissionais, fatores que contribuem para elevada prevalência de problemas de saúde mental entre estudantes, como depressão, estresse e privação de sono. Diante desse contexto, muitas instituições têm implementado programas de tutoria/mentoring como estratégia de acolhimento e apoio social, visando promover bem‑estar e a formação de profissionais mais conscientes por meio de vínculos baseados em confiança e empatia. Nessas ações, mentores experientes e colegas de diferentes períodos oferecem orientação sobre questões acadêmicas, pessoais e profissionais, em encontros periódicos que favorecem escuta, compartilhamento e suporte mútuo. O presente estudo transversal, de abordagem descritivo‑exploratória e natureza quantitativa, investigou quais habilidades sociais são desenvolvidas por acadêmicos de Medicina participantes do programa de Tutoria Mentoring da Faculdade de Medicina de Rio Verde (FAMERV/UniRV). A amostra foi composta por 69 estudantes do 1º ao 12º período que participaram do programa por pelo menos um semestre e concordaram em participar, mediante termo de consentimento; o projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética (Parecer nº 4.077.686, CAAE 31717220.4.0000.5077). A coleta de dados utilizou um questionário sociodemográfico e psicossocial, incluindo um protocolo específico de 25 questões do tipo sim/não sobre habilidades psicossociais. Na análise estatística adotou‑se nível de significância de 5% e intervalos de confiança de 95%. Testes de normalidade (Shapiro–Wilk para N<30 e Kolmogorov–Smirnov para N≥30) indicaram ausência de distribuição normal, conduzindo ao uso de testes não paramétricos. Para as variáveis dicotômicas (sim/não) realizou‑se análise descritiva da contagem de respostas “sim” e comparações por p‑valor, aplicando‑se o teste de igualdade de duas proporções quando adequado. Os resultados mostram que a maioria dos fatores avaliados apresentou diferença estatisticamente significativa entre respostas “Sim” e “Não”; a exceção foi “sono de qualidade” (42,0% Não vs. 58,0% Sim; p = 0,061). Entre os dados demográficos, “atividade de lazer” foi o mais prevalente (92,8% Sim). Entre as habilidades psicossociais, a “ampliação da rede de relações acadêmicas e profissionais” destacou‑se com 100% de respostas Sim, e outras habilidades apresentaram altas prevalências: diminuição da solidão (98,6%), adaptação ao ambiente acadêmico (97,1%), aprender a ouvir e socialização (98,6% cada), paciência, resiliência, comunicação, criatividade, liderança e capacidade de solucionar problemas (todos com prevalências elevadas e p < 0,001). Os achados indicam que o programa de Tutoria Mentoring favoreceu sobretudo a criação e ampliação de vínculos e redes de apoio, contribuindo para o desenvolvimento psicossocial dos participantes.
|